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A Ascensão das Universidades — Prefácio
A raiz das universidades sempre foi, ao que tudo indica, um professor. Alguém se destacava no ensino de uma disciplina, e eis que a ele acorriam alunos de toda parte, seja para matar a curiosidade ou para obter desempenho superior em alguma profissão nobre (como advocacia, medicina ou teologia). Não fique o leitor espantado se isso lembrá-lo dos antigos sofistas, do próprio Sócrates ou do filósofo Pedro Abelardo, falecido pouco antes do surgimento da Universidade de Paris. De fato, parece ser essa uma lei universal do empreendimento pedagógico: o professor é a pessoa mais importante, aquela que determina o sucesso e o fracasso das escolas e faculdades e, em última instância, do aprimoramento cultural de todo o mundo.
Um livro para ler — e entender
Hoje é segredo e mistério, mas um século atrás ainda se publicavam edições comentadas de clássicos como Os Lusíadas. Eram belos livros escolares, com paráfrases em prosa de cada estrofe, para garantir a compreensão da sintaxe; com notas explicativas que, diferentemente das atuais, explicavam de verdade as referências do texto e as figuras de linguagem; com introduções ricas e eruditas que fundamentavam e aprofundavam a leitura.
O Princípio da Educação Clássica
Em artigos e palestras anteriores, demonstrei a existência de uma tradição clássica na pedagogia do Ocidente, a qual, desde tempos remotos, desenvolveu-se, através das eras, segundo um mesmo espírito, até alcançar a admirável forma em que a vemos nas escolas medievais do século XII. Beneficiar-se dessa tradição é possível, mas não fácil; as exigências técnicas e disciplinares são enormes, e as espirituais talvez sejam ainda mais difíceis de atender -- porque exigem o abandono quase completo da mentalidade em que fomos criados e (com o perdão do termo) educados.
O que é educação clássica
A educação moderna perverteu-se a tal ponto que se tornou praticamente impossível confiar nas escolas comuns. Quem, em sã consciência, pode desejar seus filhos aprendendo que a identificação do sexo depende do “gênero” que cada um escolha; que jogar lixo na rua é mais ou menos tão grave quanto matar uma pessoa; que a família é um antro de preconceitos nazistas e o comunismo, uma utopia sonhada por floristas inocentes – e não, como é de fato, um ensaio ideológico do diabo?
Dois sentidos de “cultura”
A página do Ministério da Cultura no Facebook compartilhou recentemente uma mensagem catequética que afirmava: “funk é cultura, sim”. A mensagem faz parte de uma campanha intitulada “Dialoga, Brasil”, que supostamente se destina a livrar os brasileiros de seus terríveis preconceitos. Mas o Ministério da Cultura sabe que está usando a palavra “cultura” numa acepção diferente daquela em que o povo, ao negar ao funk esse estatuto, se fundamenta; a catequese governamental não é senão mais uma tentativa de obliterar um sentido da palavra, de modo que não mais seja possível distinguir obras de arte de produções vulgares.
Leitura do Poema II, 26 de Propércio
O amor possuía três grandes gêneros na Roma antiga: a lírica, a elegia e bucólica. A diferença mais enfatizada entre[...]
Questões de gênero nas Catilinárias
O objetivo deste artigo é explicar, preliminarmente, a estrutura dos gêneros retóricos na Antigüidade Clássica, a saber: deliberativo, epidíctico e[...]
O dístico elegíaco latino em português: uma proposta de tradução
Fazemos neste artigo uma proposta de tradução do dístico elegíaco latino. Para tanto, além de expor certos princípios teóricos, demonstraremos[...]
Sobre a Arte de Ler em Latim
Neste artigo, abordo a história do ensino do latim, a função tradicional dessa disciplina e como ela se encaixava no sistema das artes liberais, para mostrar que erram os que a vêem como mero idioma estrangeiro.