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Questões de gênero nas Catilinárias

Catilina2-Maccari_affrescoO objetivo deste artigo é explicar, preliminarmente, a estrutura dos gêneros retóricos na Antigüidade Clássica, a saber: deliberativo, epidíctico e judicial. Essa divisão em três gêneros, encarada pelos teóricos e pelos próprios oradores como descritiva e normativamente útil, será examinada com vistas à aplicação desses conceitos nas Catilinárias Prima e Secunda. Esses discursos, do orador Marco Túlio Cícero, apresentam dificuldades se submetidos à classificação antiga, por misturarem os gêneros. Sendo assim, procuraremos explicá-los, servindo-nos principalmente do instrumental oferecido pela Semiótica de linha francesa, mas lembrando igualmente de conceitos formulados por Bakhtin e pela escola francesa de Análise do Discurso, conceitos esses que foram herdados pela Semiótica greimasiana. Entendemos que o gênero, definido pela Semiótica como “uma classe de discurso, reconhecível graças a critérios de natureza socioletal”, é ele mesmo constituinte do sentido do discurso, por revelar escolhas do enunciador e, ao mesmo tempo, determinar uma postura de recepção do discurso, no que se refere ao enunciatário.  (Continue lendo esse artigo…)

(Estudos Semióticos, v. 5, pp. 9-16, 2009)

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A Educação do Orador: Tradução anotada do livro II da Institutio Oratoria, de Quintiliano

educacao-do-oradorA “Institutio Oratoria”, de Quintiliano, é uma obra significativa para os Estudos Clássicos, devido, por exemplo, à relevância e extensão das discussões retóricas nela promovidas. Dentre os doze livros que constituem a “Institutio”, o livro II tem a especificidade de ser intermediário entre a técnica pedagógica e a teoria retórica. Fornece exercícios (“progymnasmata”) próprios do professor de retórica (“rhetor”) e discute princípios teóricos que nortearão a obra inteira. Nosso propósito neste trabalho foi realizar uma tradução acadêmica, com notas que tornassem viável a leitura crítica e a compreensão aprofundada da obra.