Analfabetismo funcional e os graus de letramento

Segundo o Inaf (Índice do Analfabetismo Funcional), apenas 8% dos brasileiros são realmente capazes de ler. Os 92% restantes adivinham, e adivinham muito mal, o que estão lendo.

Para piorar as coisas, cerca de 50% dos que sofrem desse problema acreditam piamente que lêem muito bem.

As doenças intelectuais têm a peculiaridade de nunca serem notadas pelos doentes, e de às vezes serem notadas ao contrário. Embora o prejuízo para a vida humana seja muito real e sensível, suas causas permanecem ocultas à inteligência corrupta, já que, para serem percebidas, precisariam justamente de uma boa educação.

O acúmulo de referências intelectuais e a leitura desenfreada de obras que estão tecnicamente acima da capacidade do indivíduo tendem a piorar esse efeito, pois daí nasce o raciocínio confuso de que, uma vez que se conhece e se leu tanto, não é possível que se esteja lendo mal. É inteiramente possível e até muito comum que um estudante obtenha graus universitários, leia muito e se torne autor acadêmico ou jornalista de sucesso, sem resolver de maneira nenhuma o problema do analfabetismo funcional. A crença mesma de que seja viável aprender a ler "naturalmente", enquanto estuda outro assunto, deriva duma má compreensão do que seja a verdadeira atividade da leitura. 

Tudo isso mostra que ler é uma atividade sofisticada, difícil de ensinar e de aprender, que vai muito além de repetir o bê-a-bá e, em seguida, "praticar muito". De todo direito, a atividade de ler deve ser considerada uma arte. Pois arte, segundo a definição clássica, é uma capacidade de realizar com método algo que seja útil para a vida. Essa capacidade se desenvolve mediante a combinação de inteligência natural, aprendizado teórico e prática disciplinada: não basta saber a teoria para ser um bom carpinteiro, mas também não é suficiente tomar as ferramentas e praticar aleatoriamente durante anos. Assim também o bom leitor só pode ser produzido dentro dum quadro teórico correto, que guie seu desenvolvimento prático.

Este curso é proposto como uma discussão dos fundamentos teóricos necessários para avaliar e sanar o iletramento.

Qual é a cura?

Para curar o analfabetismo funcional, em si mesmo ou em outros, é necessário:

1) ter um modelo teórico razoavelmente claro e preciso das etapas do desenvolvimento lingüístico humano;

2) ter uma noção dos enganos que podem ocorrer no processo pedagógico, e de suas conseqüências -- o que se obtém por experiência em sala de aula e pelo estudo da história da educação;

3) conseguir detectar o estágio de desenvolvimento em que o paciente se encontra, os erros e confusões produzidos pela antieducação que recebeu, e só então seguir as etapas normais do processo, enquanto desenreda um a um os problemas remanescentes da vida escolar.

Essas três dimensões serão discutidas ao longo de seis aulas.

Programa das Aulas

  • 1
    O que é ler? Os cinco graus de letramento;
  • 2
    As potências da mente e seu exercício;
  • 3
    Pedagogia Clássica;
  • 4
    Pedagogia Moderna;
  • 5
    Reaprendendo a ler: diagnóstico e correção;
  • 6
    Perguntas e respostas*;

* As perguntas foram feitas por alunos da turma inaugural.

Conteúdo do Curso

Os graus de leitura que eram desenvolvidos na instrução escolar até o século passado, e que a pedagogia moderna nem mesmo consegue conceber. As características de cada grau, e os sintomas pelos quais se pode reconhecer o que está faltando na educação lingüística de um indivíduo.

Potências mentais cujo treinamento é indispensável para atravessar cada etapa da formação lingüística. Descrição de suas características, e sugestões de como treiná-las da maneira apropriada. Advertências contra as tentativas de saltos pedagógicos, e suas conseqüências.

Como a pedagogia tradicional, mesmo não possuindo um modelo claro das etapas do desenvolvimento lingüístico, as seguia adequadamente. Contraste com a pedagogia moderna, que confunde as etapas ou até as inverte completamente, e conseqüências de tais erros.

Perguntas & Respostas

Acho que sou um analfabeto funcional. Conseguirei assistir ao curso mesmo assim?

Ao terminar o curso, estarei curado?

Poderei baixar as aulas para o meu computador?

Uma vez inscrito, até quando terei acesso às aulas?

É possível fazer o pagamento parcelado da taxa de inscrição?

Alguma dúvida? Escreva para contato@rafaelfalcon.com.br