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Leitura do Poema II, 26 de Propércio

300px-Prop_and_CynthO amor possuía três grandes gêneros na Roma antiga: a lírica, a elegia e bucólica. A diferença mais enfatizada entre esses gêneros provavelmente é o caráter lacrimoso da poesia elegíaca, o que não significa meramente “triste”. É que a elegia, embora ressalte dores e sofrimentos de amor, não fica privada de certa felicidade e mesmo de um estranho humor; pode-se dizer até que não é raro as tristes lágrimas serem causa de conforto e prazer. Uma diferença mais concreta entre a elegia e os demais gêneros é o metro, o dístico elegíaco, que consiste de um hexâmetro e um pentâmetro dactílico (o segundo verso sendo chamado, com maior exatidão, um “hexâmetro duplamente cataléctico”). O primeiro é feito com seis pés dáctilos (sílaba longa-sílaba breve-sílaba breve), ao passo que o segundo é exatamente como o primeiro, exceto pela falta das duas breves no último pé de cada hemistíquio. Vemos então dois dáctilos, uma sílaba longa, mais dois dáctilos e uma sílaba longa. (Continue lendo esse artigo…)

(CODEX – Revista Discente de Estudos Clássicos, v. 1, p. 7-15, 2010)

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O dístico elegíaco latino em português: uma proposta de tradução

bouguereau-idylleFazemos neste artigo uma proposta de tradução do dístico elegíaco latino. Para tanto, além de expor certos princípios teóricos, demonstraremos alguns dos possíveis resultados práticos desses princípios, usando como amostra a elegia I, 9 de Propércio, reproduzida a seguir com a respectiva tradução.

Sexto Propércio foi um poeta romano do círculo de Mecenas, em que convivia com homens como Virgílio e Horácio. Sua poesia é musical e suave, própria para a recitação porque agradável aos ouvidos, tanto no som como no sentido. Não obstante, Propércio impressiona ainda mais por sua habilidade de  usar uma palavra para expandir o sentido de outra. Por isso Ezra Pound considerou-o um mestre da logopéia, a “dança do intelecto entre as palavras”. (Continue lendo esse artigo…)

(Cadernos de Literatura em Tradução, v. 10, pp. 71-79, 2009)

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Introdução a Os Lusíadas

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PROGRAMA

Aula I: Vida de Camões e contexto da obra
Aula II: Métrica e sintaxe
Aula III: Camadas de sentido

Estas aulas são parte do curso Formação Literária da Criança. Tendo discutido, nas aulas anteriores, como aplicar as técnicas clássicas de ensino usando os instrumentos modernos, percebi que os alunos sentiam necessidade de assistir a uma aplicação do método. Os exemplos dados ao longo das aulas teóricas não eram suficientes para formar uma visão integral do que seria ensinar segundo os princípios clássicos.

Os Lusíadas foi a obra que recomendei mais efusivamente como matéria-prima da formação literária, por atender a todos os critérios clássicos, ter sido composta na língua portuguesa e ter como autor o maior poeta do nosso idioma. Assim, decidi dar este curso, não como se eu fosse um especialista em Camões — pois não o sou — mas como um professor de literatura que deseja demonstrar o método clássico de formação literária, em sua primeira etapa: a interpretação de poesia.

Portanto, este curso pode ser útil àqueles que nunca estudaram Os Lusíadas, já que encontrarão nele uma introdução rápida e substanciosa, e ainda mais útil aos que desejam entender e aplicar o método clássico de explicação de textos. Diferentemente do Formação Literária da Criança, este curso não abrange a gramática do Trivium inteira, mas apenas a sua primeira etapa; isso porque é mais fácil ser conciso numa exposição teórica. Demonstrar tudo na prática exigiria muito mais tempo; mas dar continuidade a esse esforço está nos meus planos.

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As Metamorfoses (Ovídio, trad. Bocage, comentários de Rafael Falcón)

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Bocage já foi considerado por alguns o maior poeta da língua portuguesa. Ovídio, a quem ele traduz nesta seleção, se encontra em posição semelhante, seu nome nunca estando ausente das listas de “autores essenciais” da literatura antiga.

As Metamorfoses são o projeto mais ambicioso de Ovídio: um poema épico em quinze cantos, que narra a maior parte dos mitos greco-romanos de alguma importância.

Talvez já bastasse editar o livro bilíngüe, com Bocage e Ovídio lado a lado e valiosas ilustrações mitológicas de grandes pintores. Fizemos tudo isso; mas não queremos uma publicação de tal monta parada nas estantes, ininteligível e desvalorizada, como aconteceu com tantos clássicos no Brasil. Sonhamos que Ovídio e Bocage serão os mestres literários de uma geração. Para esse fim, oferecemos também neste volume: 1) extensos comentários que esclarecem obscuridades, figuras de linguagem, referências e detalhes de estilo, 2) um glossário ao final do livro, 3) um parágrafo-resumo em prosa antes de cada mito e 4) uma introdução que sugere como tirar o máximo da obra.

Esta publicação interessará aos amantes da literatura, mas sobretudo aos autodidatas, pais e professores em geral, que andam à procura de bom material para a instrução literária. Encontrarão aqui um clássico, que é clássico duas vezes, no original e na tradução, e cuja edição foi preparada especialmente para os que querem estudar e aprender.