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A Semana Santa

por São Bernardo de Claraval
(traduzido do Sermão de quarta-feira da Semana Santa, 1-4)

HOLY-FACE-JESUSMeus irmãos, vigiai em espírito, para que os mistérios deste tempo não passem por vós sem frutificar. A bênção é abundante: oferecei receptáculos limpos! A tão grandes dons de graças, mostrai almas devotadas, e sentidos alertas, e emoções equilibradas, e consciências puras. Sem dúvida vos está advertindo quanto a esta preocupação, não só o especial modo de vida que professastes, mas também a observância geral da Igreja de que sois filhos. Pois que a totalidade dos cristãos, nesta semana sagrada, ou contra seu costume, ou mais que de costume, cultivam a religião, transparecem modéstia, perseguem a humildade, vestem-se de seriedade, para que de alguma maneira pareçam partilhar do padecimento de Cristo.

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A Ascensão das Universidades — Prefácio

[Prefácio à tradução brasileira de A Ascensão das Universidades, Danúbio, 2015]

Ascensao-UniversidadesQuando este utilíssimo livrinho chegou primeiro às minhas mãos, eu investigava a educação da Idade Média, em busca daquele equilíbrio intelectual que só o senso histórico pode dar, por meio de cuja posse eu seria capaz de avaliar os méritos da minha própria educação. O Prof. Charles Homer Haskins deu-me duas vantagens: a primeira, de conhecer diversos aspectos importantes ou pitorescos da vida universitária medieval; a segunda, de perceber que eu, de acordo com meus propósitos no momento, não ganharia muito se continuasse a estudar o assunto.

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Um livro para ler — e entender

(Apresentação à reedição dos comentários de Francisco de Sales Lencastre pela Editora Concreta)

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Quando eu tinha quinze anos, abri uma edição “com notas” de Os Lusíadas. Li o poema inteiro — isto é, fiz aquilo que, à época, eu chamava de “ler” — e, para além de captar o sentido superficial da maioria das estrofes e algo da entonação épica, não entendi bulhufas.

Camões é um clássico; é o clássico da língua portuguesa. Nele estão os sentimentos morais, as virtudes, a dignidade da civilização lusa. Camões é o fundamento da nossa cultura, é o herói dos nossos escritores.

Mas como arranhar as intuições poéticas, a elevação moral, os arroubos sobrenaturais de um poeta, quando não se consegue juntar sujeito com predicado em seus longos períodos? Quando suas expressões figuradas parecem enigmáticas e até incompreensíveis? Quando não se sabe ao menos do que está ele a falar: quem é Pacheco, em que ponto da Terra os heróis se encontram, que diabos é um mauritano? Continue lendo

O Princípio da Educação Clássica

(a ser publicado na revista do I Congresso Regional de Educação Católica)

Pergunte a São Tomás de Aquino o que ele pensa dos seus flashcards.
Pergunte a São Tomás de Aquino o que ele pensa dos seus flashcards.

Em artigos e palestras anteriores, demonstrei a existência de uma tradição clássica na pedagogia do Ocidente, a qual, desde tempos remotos, desenvolveu-se, através das eras, segundo um mesmo espírito, até alcançar a admirável forma em que a vemos nas escolas medievais do século XII. Beneficiar-se dessa tradição é possível, mas não fácil; as exigências técnicas e disciplinares são enormes, e as espirituais talvez sejam ainda mais difíceis de atender — porque exigem o abandono quase completo da mentalidade em que fomos criados e (com o perdão do termo) educados. Continue lendo

O que é educação clássica

(publicado em Gazeta do Povo, 5 de outubro de 2016)

A educação moderna perverteu-se a tal ponto que se tornou praticamente impossível confiar nas escolas comuns. Quem, em sã consciência, pode desejar seus filhos aprendendo que a identificação do sexo depende do “gênero” que cada um escolha; que jogar lixo na rua é mais ou menos tão grave quanto matar uma pessoa; que a família é um antro de preconceitos nazistas e o comunismo, uma utopia sonhada por floristas inocentes – e não, como é de fato, um ensaio ideológico do diabo?

A solução, evidentemente, está em fazer o que funcionou durante mais de mil anos, antes de as escolas se tornarem laboratórios para reformadores irresponsáveis: buscar os pedagogos certificados não por alguma pós-graduação, mas pela qualidade dos homens que seus ensinamentos produziram. Nomes como Platão, Cícero, Santo Agostinho, Dante Alighieri e tantos outros deveram sua educação a uma mesma tradição pedagógica, que chamamos “clássica”.
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Dois sentidos de “cultura”

(publicado em Gazeta do Povo, 11 de janeiro de 2016)
ciceroA página do Ministério da Cultura no Facebook compartilhou recentemente uma mensagem catequética que afirmava: “funk é cultura, sim”. A mensagem faz parte de uma campanha intitulada “Dialoga, Brasil”, que supostamente se destina a livrar os brasileiros de seus terríveis preconceitos. Mas o Ministério da Cultura sabe que está usando a palavra “cultura” numa acepção diferente daquela em que o povo, ao negar ao funk esse estatuto, se fundamenta; a catequese governamental não é senão mais uma tentativa de obliterar um sentido da palavra, de modo que não mais seja possível distinguir obras de arte de produções vulgares. Continue lendo