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Por que a escola moderna não pode oferecer uma educação clássica

Assista também à minha palestra baseada neste artigo, que foi proferida na Global Home Education Conference 2016. Clique no link: Educação Clássica e Homeschooling.

O Estado mandou matar Sócrates. Não é razoável supor que lhe dariam uma escola para dirigir.
O Estado mandou matar Sócrates. Não é razoável supor que lhe dariam uma escola para dirigir.

A verdadeira educação clássica tem requisitos que as escolas modernas são incapazes de satisfazer. Só o homeschooling pode atender às exigências espirituais da tradição antiga, medieval e renascentista. Continue reading

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Educação Clássica e Homeschooling

 

Esta palestra foi dada na Global Home Education Conference 2016, no Rio de Janeiro. Para conhecer mais sobre meu trabalho na área de educação infantil, acesse: A Formação Literária da Criança.

Para ler uma versão resumida da palestra, acesse: Por que a escola moderna não pode oferecer uma educação clássica?

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A unidade do Trivium

Esta palestra foi dada no II Congresso de Artes Liberais, em Porto Alegre. Seu tema é a relação entre as três disciplinas do Trivium, e de que modo elas compõem uma unidade, como sugere o tradicional esquema triangular em que cada arte leva, organicamente, às outras duas. Para demonstrar a relação entre as artes, é preciso examiná-las individualmente, ressaltando os elementos permanentes que parecem guiar o curso do Trivium do começo ao fim.

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Introdução a Os Lusíadas

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PROGRAMA

Aula I: Vida de Camões e contexto da obra
Aula II: Métrica e sintaxe
Aula III: Camadas de sentido

Estas aulas são parte do curso Formação Literária da Criança. Tendo discutido, nas aulas anteriores, como aplicar as técnicas clássicas de ensino usando os instrumentos modernos, percebi que os alunos sentiam necessidade de assistir a uma aplicação do método. Os exemplos dados ao longo das aulas teóricas não eram suficientes para formar uma visão integral do que seria ensinar segundo os princípios clássicos.

Os Lusíadas foi a obra que recomendei mais efusivamente como matéria-prima da formação literária, por atender a todos os critérios clássicos, ter sido composta na língua portuguesa e ter como autor o maior poeta do nosso idioma. Assim, decidi dar este curso, não como se eu fosse um especialista em Camões — pois não o sou — mas como um professor de literatura que deseja demonstrar o método clássico de formação literária, em sua primeira etapa: a interpretação de poesia.

Portanto, este curso pode ser útil àqueles que nunca estudaram Os Lusíadas, já que encontrarão nele uma introdução rápida e substanciosa, e ainda mais útil aos que desejam entender e aplicar o método clássico de explicação de textos. Diferentemente do Formação Literária da Criança, este curso não abrange a gramática do Trivium inteira, mas apenas a sua primeira etapa; isso porque é mais fácil ser conciso numa exposição teórica. Demonstrar tudo na prática exigiria muito mais tempo; mas dar continuidade a esse esforço está nos meus planos.

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Educação e Humildade (Hugo de São Vítor, trad. Rafael Falcón)

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Este e-book gratuito é uma tradução comentada e bilíngüe (latim-português) do capítulo “Humildade” (Didascalicon III, 13), em que Hugo de São Vítor expõe as características da humildade estudantil, os tipos de soberba que ameaçam a busca pela sabedoria e o que se deve fazer para prevenir-se contra eles. Os comentários são puramente didáticos, e visam a esclarecer passagens mais ou menos obscuras, sem pretensões acadêmicas.

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As Metamorfoses (Ovídio, trad. Bocage, comentários de Rafael Falcón)

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ADQUIRA O LIVRO CLICANDO NESTE LINK.

Bocage já foi considerado por alguns o maior poeta da língua portuguesa. Ovídio, a quem ele traduz nesta seleção, se encontra em posição semelhante, seu nome nunca estando ausente das listas de “autores essenciais” da literatura antiga.

As Metamorfoses são o projeto mais ambicioso de Ovídio: um poema épico em quinze cantos, que narra a maior parte dos mitos greco-romanos de alguma importância.

Talvez já bastasse editar o livro bilíngüe, com Bocage e Ovídio lado a lado e valiosas ilustrações mitológicas de grandes pintores. Fizemos tudo isso; mas não queremos uma publicação de tal monta parada nas estantes, ininteligível e desvalorizada, como aconteceu com tantos clássicos no Brasil. Sonhamos que Ovídio e Bocage serão os mestres literários de uma geração. Para esse fim, oferecemos também neste volume: 1) extensos comentários que esclarecem obscuridades, figuras de linguagem, referências e detalhes de estilo, 2) um glossário ao final do livro, 3) um parágrafo-resumo em prosa antes de cada mito e 4) uma introdução que sugere como tirar o máximo da obra.

Esta publicação interessará aos amantes da literatura, mas sobretudo aos autodidatas, pais e professores em geral, que andam à procura de bom material para a instrução literária. Encontrarão aqui um clássico, que é clássico duas vezes, no original e na tradução, e cuja edição foi preparada especialmente para os que querem estudar e aprender.

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A Educação do Orador: Tradução anotada do livro II da Institutio Oratoria, de Quintiliano

educacao-do-oradorA “Institutio Oratoria”, de Quintiliano, é uma obra significativa para os Estudos Clássicos, devido, por exemplo, à relevância e extensão das discussões retóricas nela promovidas. Dentre os doze livros que constituem a “Institutio”, o livro II tem a especificidade de ser intermediário entre a técnica pedagógica e a teoria retórica. Fornece exercícios (“progymnasmata”) próprios do professor de retórica (“rhetor”) e discute princípios teóricos que nortearão a obra inteira. Nosso propósito neste trabalho foi realizar uma tradução acadêmica, com notas que tornassem viável a leitura crítica e a compreensão aprofundada da obra.

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A Ascensão das Universidades (C. H. Haskins, prefácio de Rafael Falcón)

“A raiz das universidades sempre foi, ao que tudo indica, um professor. Alguém se destacava no ensino de uma disciplina, e eis que a ele acorriam alunos de toda parte, seja para matar a curiosidade ou para obter desempenho superior em alguma profissão nobre (como advocacia, medicina ou teologia). Não fique o leitor espantado se isso lembrá-lo dos antigos sofistas, do próprio Sócrates ou do filósofo Pedro Abelardo, falecido pouco antes do surgimento da Universidade de Paris. De fato, parece ser essa uma lei universal do empreendimento pedagógico: o professor é a pessoa mais importante, aquela que determina o sucesso e o fracasso das escolas e faculdades e, em última instância, do aprimoramento cultural de todo o mundo.”
(excerto do prefácio de Rafael Falcón)

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A origem e a natureza das primeiras universidades do Ocidente é o assunto desta famosa série de palestras proferida em 1923 pelo historiador americano Charles Homer Haskins, e traduzida pela primeira vez no Brasil.

Num estilo vibrante e entusiasmado, o autor explica como surgiram as instituições universitárias, além de pintar um retrato vivo do cotidiano dos alunos e professores de cidades como Paris, Oxford e Bolonha.

“A ascensão das universidades” é um livro que ilumina o conhecimento do público brasileiro sobre a Idade Média, época de importantes realizações culturais e intelectuais, mas que permanece inadequadamente associada ao obscurantismo na imaginação popular.

 

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Conservadores, Brás Cubas e a pedra filosofal

emplasto-bras-cubasQuem ouve falar aos sedizentes conservadores brasileiros fica, suponho eu, aliviado. Descobertas há as mais surpreendentes, declaradas em meio à celeuma de heurecas: existe verdade, não é relativa, Cristo isto, virtudes aquilo. As mesmas respostas, milagrosamente, solucionam todo gênero de problemas. Passou o tempo da ignorância. O Brasil tem futuro garantido.

Não importa o campo do conhecimento, o emplasto Brás Cubas resolve o dilema. A “dignidade humana” e a “lei natural” passeiam, enquanto falamos, pelas alamedas da inteligência; estavam há pouco com um biólogo pró-vida… agora cruzaram para a casa de um jurista – que escrevia sobre cotas – e parece que saíram de um bar na Rua Augusta. Amanhã visitarão um pedagogo, que com elas diagnosticará a educação brasileira; depois têm hora marcada com certo professor de matemática, que sabe-se lá como as envolverá em suas exatas ciências.

Agora há pouco me bateram à porta uns finórios de cartola e bengala, perguntando-me que tenho eu contra tão nobres senhoras. Sou eu inimigo da dignidade humana? Que me fez ela? E a lei natural? E quem mais pretendo insultar com vagas referências literárias? Os distintos cavalheiros me avisaram que nem cogite mencionar a “santa pureza” ou a “caridade”. Mas me entenderam mal: debaixo das cartolas, continuam brasileiros, e como ótimos brasileiros, péssimos leitores. Não tenho nada contra as damas citadas, que entre nós são, aliás, donzelas intocadas e desconhecidas. Parece-me que cá nunca pisaram, ou se o fizeram, já faz tempo e foi em segredo.

Não sou opositor da caridade, da santa pureza, da dignidade humana ou (de modo algum!) da lei natural. Cortejo-as todas de longe, quase sempre por carta e foto, já que não se dignam a visitar-me, nem tenho eu recursos para visitá-las com frequência.

Minha desconfiança – não a chamem inimizade! – é com o bálsamo universal, que às vezes usurpa os nomes a essas senhoras e a outras mui dignas. Percebe-se a fraude por sinais exteriores: de repente a caridade mostra impaciência, a santa pureza explode em tremores psicóticos, a dignidade humana soa cafona e burocrática, a lei natural rasga as vestes como um fariseu. E todas, sem exceção, ocupam lugares alheios, posando de soluções definitivas para grandes mistérios que, se encarados por um pobre mortal como eu, pareceriam exigir décadas de estudo cada um.

Lia eu, há não mais que algumas horas, em algum site conservador, assim de passagem, num artigo sobre outro assunto, uma observação rápida e impaciente, em tom de quem diz o óbvio ululante: “o propósito da educação é…”. É o quê? Adivinhe o leitor, optando entre: a) incutir virtudes/valores; b) nutrir bons afetos; c) apreciar a beleza; e d) todas as anteriores. Tanto faz, todos dizem o mesmo, todos sabem qual é o propósito da educação. Aristocles, o filósofo de ombros largos, desbravou o mistério; depois Cícero, Quintiliano, Boécio, Alcuíno, Dhuoda, Hugo de S. Vítor, John Milton, Rousseau, Tolstói, Jean Piaget… embalde. A solução para este problema, como para os demais, já estava reservada ao Brasil do século XXI.

Ora, se há um hábito que o brasileiro, conservador ou revolucionário, esquerdista ou direitista, criança ou adulto, jamais abandona, é o de ter respostas simples e pré-fabricadas para todos os problemas do universo, sem nunca ter-se dado ao trabalho de estudá-los individualmente. Não por acaso, o texto teórico parece exercer uma assombrosa atração sobre nossas classes pensantes, que o preferem a todos os demais gêneros literários. Quanto mais universais as pretensões do texto, mais sedutor ele se torna. O brasileiro não se aproxima de Aristóteles pelo interesse na metafísica, mas pelo desejo de valer-se da metafísica como de um elixir alquímico que tudo transformasse em ouro. Nem se aproxima de Karl Marx pelo interesse em economia, mas pelo ardor de, munido de conceitos econômicos, apresentar ao mundo uma solução final.

Se o leitor quiser, portanto, economizar anos de leitura de blogs intelectualóides, pode adotar o seguinte método: caso queira saber a opinião “de esquerda” a respeito de qualquer problema, recorra à ideia de luta de classes e à opressão da elite burguesa sobre as classes trabalhadoras; caso queira saber a opinião “conservadora”, recorra ao Catecismo Romano, com especial atenção ao exame dos Dez Mandamentos. Ali se encontram todas as respostas que o conservador brasileiro deu, dá e dará a respeito das mais intrincadas questões filosóficas, políticas, psicológicas, pedagógicas, mecânicas e esportivas. Na verdade, alguns de nossos conservadores já começam a considerar a literatura um passatempo perigoso e a filosofia pagã como mera peça de museu (já absorvida, em tudo o que nela havia de proveitoso, no Código de Direito Canônico). Nas drogarias, já não há espaço para outro fármaco; o emplasto Brás Cubas cura todas as dores, inclusive a consciência da própria burrice.