Pergunte a São Tomás de Aquino o que ele pensa dos seus flashcards.

O Princípio da Educação Clássica

(a ser publicado na revista do I Congresso Regional de Educação Católica)

Pergunte a São Tomás de Aquino o que ele pensa dos seus flashcards.
Pergunte a São Tomás de Aquino o que ele pensa dos seus flashcards.

Em artigos e palestras anteriores, demonstrei a existência de uma tradição clássica na pedagogia do Ocidente, a qual, desde tempos remotos, desenvolveu-se, através das eras, segundo um mesmo espírito, até alcançar a admirável forma em que a vemos nas escolas medievais do século XII. Beneficiar-se dessa tradição é possível, mas não fácil; as exigências técnicas e disciplinares são enormes, e as espirituais talvez sejam ainda mais difíceis de atender — porque exigem o abandono quase completo da mentalidade em que fomos criados e (com o perdão do termo) educados. Continue reading

dante-alighieri

O que é educação clássica

(publicado em Gazeta do Povo, 5 de outubro de 2016)

A educação moderna perverteu-se a tal ponto que se tornou praticamente impossível confiar nas escolas comuns. Quem, em sã consciência, pode desejar seus filhos aprendendo que a identificação do sexo depende do “gênero” que cada um escolha; que jogar lixo na rua é mais ou menos tão grave quanto matar uma pessoa; que a família é um antro de preconceitos nazistas e o comunismo, uma utopia sonhada por floristas inocentes – e não, como é de fato, um ensaio ideológico do diabo?

A solução, evidentemente, está em fazer o que funcionou durante mais de mil anos, antes de as escolas se tornarem laboratórios para reformadores irresponsáveis: buscar os pedagogos certificados não por alguma pós-graduação, mas pela qualidade dos homens que seus ensinamentos produziram. Nomes como Platão, Cícero, Santo Agostinho, Dante Alighieri e tantos outros deveram sua educação a uma mesma tradição pedagógica, que chamamos “clássica”.
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cicero

Dois sentidos de “cultura”

(publicado em Gazeta do Povo, 11 de janeiro de 2016)
ciceroA página do Ministério da Cultura no Facebook compartilhou recentemente uma mensagem catequética que afirmava: “funk é cultura, sim”. A mensagem faz parte de uma campanha intitulada “Dialoga, Brasil”, que supostamente se destina a livrar os brasileiros de seus terríveis preconceitos. Mas o Ministério da Cultura sabe que está usando a palavra “cultura” numa acepção diferente daquela em que o povo, ao negar ao funk esse estatuto, se fundamenta; a catequese governamental não é senão mais uma tentativa de obliterar um sentido da palavra, de modo que não mais seja possível distinguir obras de arte de produções vulgares. Continue reading

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Leitura do Poema II, 26 de Propércio

300px-Prop_and_CynthO amor possuía três grandes gêneros na Roma antiga: a lírica, a elegia e bucólica. A diferença mais enfatizada entre esses gêneros provavelmente é o caráter lacrimoso da poesia elegíaca, o que não significa meramente “triste”. É que a elegia, embora ressalte dores e sofrimentos de amor, não fica privada de certa felicidade e mesmo de um estranho humor; pode-se dizer até que não é raro as tristes lágrimas serem causa de conforto e prazer. Uma diferença mais concreta entre a elegia e os demais gêneros é o metro, o dístico elegíaco, que consiste de um hexâmetro e um pentâmetro dactílico (o segundo verso sendo chamado, com maior exatidão, um “hexâmetro duplamente cataléctico”). O primeiro é feito com seis pés dáctilos (sílaba longa-sílaba breve-sílaba breve), ao passo que o segundo é exatamente como o primeiro, exceto pela falta das duas breves no último pé de cada hemistíquio. Vemos então dois dáctilos, uma sílaba longa, mais dois dáctilos e uma sílaba longa. (Continue lendo esse artigo…)

(CODEX – Revista Discente de Estudos Clássicos, v. 1, p. 7-15, 2010)

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Questões de gênero nas Catilinárias

Catilina2-Maccari_affrescoO objetivo deste artigo é explicar, preliminarmente, a estrutura dos gêneros retóricos na Antigüidade Clássica, a saber: deliberativo, epidíctico e judicial. Essa divisão em três gêneros, encarada pelos teóricos e pelos próprios oradores como descritiva e normativamente útil, será examinada com vistas à aplicação desses conceitos nas Catilinárias Prima e Secunda. Esses discursos, do orador Marco Túlio Cícero, apresentam dificuldades se submetidos à classificação antiga, por misturarem os gêneros. Sendo assim, procuraremos explicá-los, servindo-nos principalmente do instrumental oferecido pela Semiótica de linha francesa, mas lembrando igualmente de conceitos formulados por Bakhtin e pela escola francesa de Análise do Discurso, conceitos esses que foram herdados pela Semiótica greimasiana. Entendemos que o gênero, definido pela Semiótica como “uma classe de discurso, reconhecível graças a critérios de natureza socioletal”, é ele mesmo constituinte do sentido do discurso, por revelar escolhas do enunciador e, ao mesmo tempo, determinar uma postura de recepção do discurso, no que se refere ao enunciatário.  (Continue lendo esse artigo…)

(Estudos Semióticos, v. 5, pp. 9-16, 2009)

bouguereau-idylle

O dístico elegíaco latino em português: uma proposta de tradução

bouguereau-idylleFazemos neste artigo uma proposta de tradução do dístico elegíaco latino. Para tanto, além de expor certos princípios teóricos, demonstraremos alguns dos possíveis resultados práticos desses princípios, usando como amostra a elegia I, 9 de Propércio, reproduzida a seguir com a respectiva tradução.

Sexto Propércio foi um poeta romano do círculo de Mecenas, em que convivia com homens como Virgílio e Horácio. Sua poesia é musical e suave, própria para a recitação porque agradável aos ouvidos, tanto no som como no sentido. Não obstante, Propércio impressiona ainda mais por sua habilidade de  usar uma palavra para expandir o sentido de outra. Por isso Ezra Pound considerou-o um mestre da logopéia, a “dança do intelecto entre as palavras”. (Continue lendo esse artigo…)

(Cadernos de Literatura em Tradução, v. 10, pp. 71-79, 2009)

curso de latim online

Sobre a Arte de Ler em Latim

curso de latim onlineEste artigo foi escrito para servir de introdução ao livro “The Art of Reading Latin”, do Prof. William Hale, em edição brasileira pela Editora Resistência Cultural.

Nele, abordo a história do ensino do latim, a função tradicional dessa disciplina e como ela se encaixava no sistema das artes liberais, para mostrar que erram os que a vêem como mero ensino de idiomas. Verdadeiramente, trata-se de uma disciplina intelectual e, o que é mais, daquela que é fundamento de todo o resto.

Baixe o artigo, gratuitamente, clicando no link: Sobre a Arte de Ler em Latim.